14.2.06

Acontece que...

... ontem foi dia de aniversário do centenário do nascimento do Mestre Agostinho da Silva (1906-1994), esse livre-pensador, que desacomoda, inquieta, espicaça o pensamento. Essa mente aberta, de espírito crítico, avesso a verdades feitas. Filósofo da acção, mais que filósofo de sistema! Pensamento vivo que deambulou por esse mundo criando escolas e universidades, mas renitente à ideia de uma escola formal. Pensamento em constante devir, pensamento sem cartilha, pensamento esvoaçante apelando à criação e ao potencial que germina em cada ser humano. Homem da Utopia, da incansável procura; espírito cujo lema era: MUDAR O MUNDO.

E foi um prazer assistir ao filme-documentário realizado pelo neto do Mestre Agostinho, João Rodrigo Mattos. Magnífico documentário! Resultado de muita pesquisa e investigação (mais de 90 horas de material original e de arquivo condensados em 80 minutos de película) com filmagens nos múltiplos locais por onde deambulou (e deixou marcas) Agostinho da Silva; e depoimentos de várias personalidades que com ele privaram. Enfim, uma justa homenagem num filme onde se traça o percurso biográfico-afectivo-filosófico e geográfico do mestre, que correu mundo e voltou à matriz da sua origem – Portugal.

Uma noite diferente, na noite de Barcelos, outras que tais em mais noventa e nove cidades nacionais e estrangeiras (projecto 100x100), uma homenagem feita de imagens e de sons àquele que afinal sempre desconfiou de homenagens, e que dizia:

Acho graça às homenagens

que me prestam,

excelente sinal de ilusões

que a eles restam;

sou tão humano quanto os outros,

com qualidades e defeitos

e mais manhas que se escondem

em seus peitos (…)

Humano como nós que também temos destas coisas:
comemorar não… mas sim lembrar!

(counter desde 05.Out.2005)